Borboleteando...

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A vontade impulsiva de escrever e depois de ver tantos blogs interessantes me levou a criar um também... como borboleta, vou borboleteando por aí, sem saber onde isso vai dar nem onde irei parar... Bons vôos... εïз~*~

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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

E ela vivia assim...

Saber Voar
Chimarruts
Composição: Sander Fróis / Nê
Falar...(falar...)

Que bom quando é pra ti
Sonhar...(sonhar...)
Faz a vida mais feliz
E as estrelas que não posso tocar
Estão tão perto
Estão no teu olhar
Cantar...(cantar...)
Que bom quando é pra ti
Ver teu sorriso
Também me faz sorrir
Oh estrela não deixe de brilhar
Mesmo que tão longe
Sei que ela está lá
Mesmo que eu não te veja
Posso sentir quando pensa em mim
É como não ver o sol
Mas ter certeza que está la
Transformando a noite em dia
Tristezas em alegrias
E aquilo que era vazio
Foi embora pra não voltar mais
Queria saber voar
Pra lá do alto poder ver você
Te ver sorrir te ver sonhar
Coisas lindas quero te dizer
Se um anjo encontrar
Eu vou pedir pra ele te proteger
Oh estrela que me faz enxergar
Que a vida é linda de viver

Ela vivia assim: pés no chão e cabeça nas nuvens!
Caminhava seu caminho querendo se misturar com o vento, com as cores, com os cheiros e sabores.
Detetive por vocação, estava sempre investigando tudo que se passava em volta e dentro dela... vasculhava tudo, desde as caixas de pensamentos empoeiradas até aqueles sentimentos remendadinhos esquecidos lá no cantinho do coração. Sabe aqueles sentimentozinhos que a gente sente e às vezes nem sabe que sentiu? Sabe aqueles pensamentinhos que, caixa aberta, saltavam serelepes sacudindo a poeira e desamassando a roupinha? Eram justamente estes que ela escarafunchava, escarafunchava até soltar gritinhos de "Viva! Viva!" que poderiam ser lidos como "Eureca! Encontrei! Descobri!" ou até mesmo um "Viva! Viva! Estou, de fato, viva!"
Ela vivia assim: pés no chão e cabeça nas nuvens!
De tanto caminhar seu caminho, cabelos ao vento e cara pra cima, não enxergava as pedrinhas que atravessavam sua estrada e, de não enxergar... puf! Dava mergulhos no chão! Olhos rasos d'água e nariz sujinho de terra, ensaiava alguns soluços mas, de repente, observava que lá no chão haviam formiguinhas trabalhadeiras, caminhando enfileiradas, carregando folhas verdes nas costas e aí esquecia-se do tombo, do choro, da dor...
Ela vivia assim: pés no chão e cabeça nas nuvens!
Andava sem parar, até que em um determinado momento, ela parou bruscamente! O céu azulz tingira-se de colorido. Um verdadeiro arco-íris (perdoem-me mas pra mim arco-íris vai ser sempre arco, tracinho, íris) coreografando um ballet que deixaria qualquer Ana Botafogo abobalhada! Seus olhos ficaram hipnotizados por esse farfalhar, sentiu seu coração boquiabertamente acelerante e desejou ardentemente ser uma delas...
Ela vivia assim: pés no chão e cabeça nas nuvens!
-Por favor, por favor, por favor, que eu seja uma delas! - de olhos fechados desejou!
Ao abri-los, percebeu que o colorido se aproximava e então se viu envolta num redemoinho de luz e cores! Não me perguntem como, mas, de repente, como num passe de mágica, elas se misturaram!
Foi então que sentiu suas asinhas adormecidas se abrirem, tal qual flor desabrochando. Só aí observou que seus pés flutuavam e subiam, desciam, faziam movimentos circulares e elípticos que fizeram com que s edesse conta de que alcançara a maior das descobertas: suas asas coloridas lhe davam a oportunidade de VOAR, de ver tudo do alto, em sua complexa completude.
Da última vez que a vi, ela estava assim, com um sorriso no rosto, voando rumo à liberdade!
E ela vivia assim: pés no chão e cabeça nas nuvens!
Pensamentinho de Cabeceira:
"Eu sou eu e meus avessos"
(Padre Fábio de Melo)

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Luto!!!


O Anjo Mais Velho
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli
"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente
"Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar
Não queria voltar a postar nesse blog assim, fazendo homenagens póstumas...
Gosto de vida, de alegria e... quer saber? Minha vó gostava também! Então não entendam como homenagem póstuma, leiam e entendam como mais um brinde a cem anos de uma vida muito bem vivida e a uma vontade de jajá nos encontrarmos de novo e aí sim... vai ser aquela festa!
Bom, aí tá a transcrição da cartinha que eu li na missa de sétimo dia de minha vó:
Vovó Livinha, para mim, é sinônimo de vida! Não há como lembrar dela sem um sorriso no rosto, olhos vivos, mesas fartas e muita história para contar...
Seu principal objetivo nesta existência foi literal e redundantemente VIVER e, posso dizer com a autoridade de quem com ela conviveu, que sua meta foi cumprida, e com louvor! Minha vó sorveu a vida e soube aproveitá-la da melhor maneira: sorrindo, amando, convivendo, desbravando e conquistando aqueles que caminharam seu caminho.
Engraçada que só ela, acrescentava semrpe um ano a mais quando questionada a respeito da idade pois dizia que agindo desta forma viveria mais um ano e mais outro e mais outro... O curioso é que ela sempre dizia que pararia nos cem...
Falando em cem anos, este foi um dos últimos desejos caprichosos seus. sua festa centenária, com a família toda em volta, todos comendo e bebendo, a música tocando e ela, a rainha da festa, sendo cumprimentada por aqueles que lhe eram caros.
Sinto-me imensamente feliz por, juntamente com os demais, não ter envidado esforços para que este sonho se concretizasse. E como ela estava feliz naquele dia! Mas, dizia sempre que aquela comemoração de seus anos seria a última...
Se foi profecia ou não, nove meses depois, estava eu, juntamente com os demais, não envidando esforços para preparar a sua despedida do nosso meio...
Tenho certeza de que agora ela deve estar lá no plano espiritual, com Pai Vés (meu avô), painho e padrinho Antônio fazendo festa, falando alto e encantando os anjos com suas histórias, sempre seguidas de um "Demoooore, sá Livinha" de Pai Vés, que, por sua vez, deve estar radiante por encontrar seu AMOR MAIOR outra vez.
Seria egoísmo de minha parte dizer que Deus foi injusto por ter carregado minha vó pra Ele. Não! Sou grata aos céus por ter tido o privilégio de conviver com ela por tanto tempo, por ter escutado suas histórias e conselhos e por ter aprendido lições valiosas com sua astúcia, sabedoria e fortaleza.
Mas também seria mentira dizer que não está doendo! como disse e cantou o poeta, "sua ausência está fazendo silêncio em todo lugar". É duro saber que ela não está mais lá, que está senão nas lembranças e fotografias. Dói saber que o cheiro, o toque, o abraço não serão mais sentidos.
O que consola é saber que entrou mais uma pro time dos que cuidam de nós lá de cima: minha vovó Livinha, meu "anjo mais velho".
Agradeço, em nome da família Olegário/Macedo/Santana a cada um que, com gestos de carinho, palavras de sustentação, abraços fraternos ou até mesmo com o silêncio que diz tudo, nos confortaram neste momento de resignação!
Pois é, pessoas... voltei! Não com a mesma frequência de antes, mas voltei!
Pensamentinho de Cabeceira:
"Tenho certeza que vou te encontrar
não sei o dia e a hora
mas sei o lugar
sei que você esta bem
mesmo assim
isso não me impede de chorar"...
(Catedral)

Domingo, 8 de Março de 2009

Dia Internacional da Mulher


Mulheres Fazem
Autora: Salete Maria

Mulheres fazem amor
Fazem sexo, raiva e medo
Fazem cara de horror
Fazem figa e segredo
Mulheres fazem questão
Fazem grupo de pressão
Fazem a hora e o enredo

Mulheres fazem fuxico
Fazem sopa, fazem dó
Fazem bocas, fazem bico
Fazem juntas, fazem só
Mulheres fazem as unhas
Fazem vergonha, algumas
Fazem bem, fazem pior

Mulheres fazem apelo
Fazem sujeira e faxina
Fazem mudança em cabelo
Em peito, bunda e vagina
Fazem caridade e briga
Filantropia e intriga
Fazem menino ou menina

Mulheres fazem progresso
Fazem mingau e novenas
Fazem, às vezes, regresso
Fazem ciúmes e cenas
Fazem o homem gemer
Mas fazem enlouquecer
Outra mulher, sem problemas

Mulheres fazem pedidos
Fazem também simpatias
Fazem blusas e vestidos
Fazem verso e ironias
Fazem dança de salão
Fazem que vão e não vão
Fazem fila em romaria

Mulheres fazem pirraça
Fazem silêncio e zoada
Fazem exibição na praça
Fazem palavra cruzada
Fazem tese de mestrado
Fazem também rebolado
Fazem pagando ou de graça

Mulheres fazem projetos
Fazem crochê e tricô
Fazem lixos e dejetos
Fazem lobby e complô
Mulheres fazem cordéis
Fazem filas em bordéis
Fazem dos homens robôs

Mulheres fazem canções
Fazem arte, fazem show
Fazem parte de esquadrões
Fazem pose, fazem gol
Mulheres fazem ciladas
Fazem quorum nas calçadas
Fazem xote, fazem soul

Mulheres fazem festinhas
Fazem votos, fazem chá
Fazem pirão de galinha
Fazem cantos de ninar
Mulheres fazem regime
Fazem clube, fazem time
Fazem aqui e acolá

Mulheres fazem escolhas
Fazem desgosto e saudade
Fazem sabão, fazem bolhas
Fazem bem, fazem maldade
Mulheres fazem orquestra
Fazem som, fazem seresta
Fazem sigilo da idade

Mulheres fazem política
Fazem aborto e quermesse
Fazem paz e fazem crítica
Fazem jogo, fazem prece
Mulheres fazem plantão
Fazem bem depilação
Fazem tudo que acontece

Mulheres fazem diários
Fazem também maioria
Fazem luta de contrários
Fazem cartas de alforria
Fazem arroz e feijão
Fazem greve e oração
Fazem a melhor companhia

Mulheres fazem das tripas
E fazem do coração
Fazem dos caibros as ripas
Fazem do choro a canção
Fazem dos clamores hinos
Fazem dos velhos meninos
Fazem do gigante anão

Mulheres fazem história
Fazem o tempo parar
Fazem perder a memória
Fazem morrer e matar
Mulheres fazem o dia
Fazem da dor alegria
Fazem ferir e sarar

Mulheres fazem aplique
Fazem o tipo perua
Mulheres fazem chilique
Fazem protesto na rua
Fazem teatro e cinema
Fazem nojo e poema
Fazem até foto nua

Mulheres fazem piada
Fazem sentença e magia
Fazem a vida encantada
Fazem inferno e alegria
Mulheres fazem denúncia
Fazem carta de pronúncia
Fazem sentir nostalgia

Mulheres fazem as leis
Fazem a educação
Fazem o que ninguém fez
Fazem esculhambação
Mulheres fazem carreira
Fazem barulho na feira
Fazem do sim quase não

Mulheres fazem esforço
Fazem pesquisa de campo
Fazem aula de reforço
Fazem remendo de tampo
Mulheres fazem sinal
Fazem bis no carnaval
Fazem presilha e grampo

Mulheres fazem tratados
Fazem lavagem de roupas
Fazem compras em mercados
Fazem que são muito loucas
Mulheres fazem revistas
Fazem também entrevistas
Fazem favor como poucas

Mulheres fazem o mundo
Fazem o globo girar
Fazem tudo num segundo
Fazem a vida durar
Mulheres não fazem guerra
Fazem nascerem na terra
Os frutos do verbo amar

Mulheres fazem, enfim
Parte da espécie humana
Não é melhor nem pior
É o anjo mais sacana
Mulher é a bruta-flor
De quem Caetano falou
Não convence, mas engana
Para homenagear as mulheres, escolhi este cordel da minha estimada Salete Maria que, para mim, é um grande exemplo de mulher! Quando eu crescer, quero ser igualzinha a ela!
O Borboleteando abraça todas as mulheres leitoras (ou não) deste blog, tão bem descritas no poema supracitado!
Ps.: Se vc gostou do poema, confira a obra completa da autora no blog Cordelirando! Eu recomendo!!
Pensamentinho de Cabeceira:
"Lugar de mulher é dentro
Mas também pode ser fora
Lugar de mulher é centro
Que a margem não ignora
Lugar de mulher é leste
Norte, sul, também oeste
De noite, tarde e aurora"
(Salete Maria - Lugar de Mulher)

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Notícias e Propaganda


Energia
Lenine
Composição: Indisponível

Olha que eu conheço essa cara
Você chegou de cima
Vem comigo, toma a chave do meu coraçâo
Que eu já entrei no clima
Olha que eu conheço esse pique
No seu teatro também quero ser atriz
Deixa eu cair no teu bloco
Me laça, me beija, me faça feliz
O sol raiou
Tomou conta da praça
Sua energia
O sol raiou
Pra dizer ao país
Que hoje é o dia
Gente, minha avó, bem no dia do aniversário dela passou muito mal e foi parar na UTI, tadinha... Tivemos que cancelar a festinha dela e tudo mais. Mas graças a Deus ela está muito bem, tá no hospital ainda, mas não mais na UTI! =)
Obrigada por todos os desejos de felicidades a ela, viu? Quem puder, faça uma prece pra que ela se recupere rapidinho e venha pra casa! ;)
Momento propaganda:
Vocês precisam conhecer o blog Cordelirando, da minha amiga Salete Maria. Quem gosta de poesia e literatura de cordel vai se deliciar \om a obra maravilhosa dela, envolvendo diversas temáticas, como mulheres (uma excelente pedida pro dia 08 de março), idosos, homossexuais, cidadania, direitos, história, enfim... vale a pena passar lá e conferir! EU RECOMENDO!
Beijinhos e fiquem com Deus!
Pensamentinho de Cabeceira:
"Eu tomo posse da minha herança
Sou herdeiro da promessa de Deus
Eu tenho fé e confiança
Que eu já recebi tudo aquilo que é meu"
(Regis Danese)

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Parabéns, Vó!!!

É tão Normal ser Feliz
Catedral
Composição: Kim / César / Júlio

Teu coração, mexeu com o meu
O amor encheu todo ar
É bom te ver, sorrir também
É tão normal ser feliz
Quando alguém ama outro alguém
E este alguém o ama também
A razão perde para a emoção
Quando Deus é o centro então
Neste amor tudo é maior
A emoção não acaba com a razão
Meu coração eu te entreguei
Teus olhos são meu olhar
É bom te ver sorrir também
É tão normal ser feliz


É tão bom ver o sorriso das pessoas que a gente ama tanto... e se é mesmo tão normal ser feliz, assim sejamos então...
Hoje, 02 de março, é o aniversário de uma das pessoas que mais amo nessa vida: minha outra vó lindona, vovó Dete!!!
Sou fã desta mulher batalhadora, forte e corajosa que já enfrentou muitas dificuldades e desafios impostos pela vida e saiu vencedora em todos eles.
Vó, vovozinha, vó mais linda desse mundo, a danadinha daqui de casa, vovó Dete, que seus dias sejam cada vez melhores, que Deus continue olhando pra senhora, dando saúde, paz, tranquilidade, muitos sorrisos e muitos dengos nossos.
É tão bom ficar pertinho da senhora, conversando abobrinhas, às vezes estou meio tristinha, mas é só chegar perto da senhora que a gargalhada é certa!
Sou feliz por participar de 30 desses 84 anos de vida da senhora e peço a Deus que nos dê a oportunidade de comemorarmos muitos aniversários seus juntas, ver sua alegria na hora dos parabéns, e no final de tudo, seu sorriso e o famoso: "Num foi bom?", rsrs!
Vó, te amo muito!


Pensamentinho de Cabeceira:
"... muitas FELICIDADES,
muitos ANOS DE VIDA!!!"

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Tirando a cera do ouvido...

O Que Não Se Pode Explicar Aos Normais.
Catedral
Composição: Indisponível


Sobre o amor e o desamor, sobre a paixão,
Sobre ficar, sobre desejar, como saber te amar?
Sobre querer, sobre entender, sem esquecer,
Sobre a verdade e a ilusão,
Quem afinal é você?
Quem de nós vai mostrar realmente o que quer?
Um coração nesse furacão, ilhando onde estiver.
O meu querer é complicado demais,
Quero o que não se pode explicar aos normais.
Sobre o porque de tantos porquês,
E responder
Entre a razão e a emoção eu escolhi você!


Lindo, né? Preciso escutar mais o cantarolar dessa banda...
Aliás, preciso escutar mais o cantarolar dos passarinhos, do vento que traz e leva a chuva embora, da chuva pingando no teto, do grilo que anuncia a chuva que vem e a que se foi...
Pra ser sincera, preciso escutar mais os barulhinhos que Deus faz quando quer falar comigo!
Alguém me empresta um cotonete?
Pensamentinho de Cabeceira:
"Te dar um olhar,
não aquele olhar distraído,
mas um olhar de quem chegou inteiro
e que se entrega enternecido e desamparado
dizendo: olha, sou teu.
Agora veja lá o que vai fazer comigo".
(Affonso Romano de Sant'Anna)

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Vomitando arco-íris pra lambuzar a vida de colorido...


"Todo dia, a menina corria o quintal, procurando um arco-íris. Corria olhando para o alto, tropeçava e caía. Toda vez que se machucava, vinha chorando uma cor. Um dia, chorou o anil até esvaziá-lo dos olhos. Depois, chorou laranja, chorou vermelho e azul. Chorou verde. Violeta. Amarelo e até transparente! Chorou todas as cores que tinha, todas as cores de dentro. Então, abriu os olhos e nem o arco-íris, ela viu. Não viu flores e borboletas. Não viu árvores e passarinhos. Pensando que era ainda noite, deitou-se na cama e dormiu. Pensando que era tudo escuro, nem levantar-se ela quis! Ficou dormindo cinzenta, por dias e noites sem fim... Foi quando um sonho, tão colorido, derramou-se dentro dela! Tingiu o travesseiro e a fronha, o lençol e o pijaminha. Tingiu a meia e o quarto. Tingiu as casas e os ninhos! A menina abriu a janela e viu que hoje não tinha arco-íris. Mas tinha o desenho das nuvens. Tinha as flores e um passarinho".
(Rita Apoena)
Ah não! Não quero chorar arco-iris...
Sabe o que eu quero, meu bem?
Ir saboreando, devagarinho o Vermelho do Vinicinho, até me entupir do amor ("infinito enquanto dure" - e quem sabe até dure pra sempre?) que ele cantava lindamente. Depois degustar a Florbela com todo o seu Laranja, sentindo na pele a paixão até dar uma dor, sonhando que "sou a Poetisa eleita, aquela que diz tudo e tudo sabe"! Ao me fartar desta, sorverei o Amarelo de Pessoa, para poder "cercar de grandes muros quem me sonha... para que me conheçam só assim", rs. Satisfeita do Fernando, chegará a vez de me entupir de Verde, que é a cor de Neruda que vem me ensinar calmamente que "da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai". Munida desta certeza, poderei então me valer de Drummond com todo o seu Azul me explicando, dentre outras coisas, que "tenho razão em sentir saudades", tenho razão!!! quando a saudade já não mais em mim habitar, a noite cor de Anil de dona Clarice só vem afirmar que "teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu". Ah, mas depois de tudo isso, vou comer avidamente o Quintana-Violeta e no fim perceberei "que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar"...
E assim que terminar esta "refeição", aí sim, poderei então vomitar meu arco-íris, lambuzando a vida de colorido!!!
P.S.:Kamilla, do blog Pure Charme, não estou conseguindo comentar lá! Acho que deve ter alguma coisa errada, vê lá e qualquer coisa me avisa! Beijo!
Pensamentinho de Cabeceira:
"Vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia".
(Leminski)