Borboleteando...

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A vontade impulsiva de escrever e depois de ver tantos blogs interessantes me levou a criar um também... como borboleta, vou borboleteando por aí, sem saber onde isso vai dar nem onde irei parar... Bons vôos... εïз~*~

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domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Sempre que chega o Natal, eu lembro deste lindo cordel que o Sr. Luiz Campos fez. É uma crítica belíssima ao "Papai Noel" que só aparece pros ricos... Já publiquei este cordel aqui e já recitei na faculdade. Não custa nada colocar aí de novo!
Feliz Natal, pessoas! Eu sumo, sumo, mas sempre volto! rs

Carta ao Papai Noel
Luiz Campos

Seu moço eu fui um garoto
Infeliz na minha infância
Que soube que fui criança
Mas pela boca dos ôto...
Só brinquei com gafanhoto
Que achava nos tabuleiro
Debaixo dos juazeiro
Com minhas vaca de osso
Essas catrevage, moço,
Que se arranja sem dinheiro.

Quando eu via um gurizim
Brincando de velocipe,
De caminhão e de jipe,
Bola, revólve ou carrim
Sentia dentro de mim
Desgosto que dava medo,
Ficava chupando o dedo
Chorando o resto do dia
Só pruque eu num pudia
Pegá naqueles brinquedo.

Mas preguntei certa vez
A uns fio dum dotô
Diga, fazendo um favô
Quem dá isso prá vocês?
Mim respondeu logo uns três
Isso aqui é os presente
Que a gente é inocente
Vai drumí às vezes nem nota
Aí Papai Noé bota
Perto do berço da gente.

Fiquei naquilo pensando
Inté o Natá chegá
E na Noite de Natá
Eu fui drumi me lembrando
Acordei, fiquei caçando,
Por onde eu tava deitado
Seu moço eu fui enganado
Que de presente o que tinha
Era de mijo uma pocinha
Que eu mesmo tinha botado.

Saí c'a bixiga preta
Caçando os amigo meu
Quando eles mostraram a eu
Caminhão, carro e carreta
Bola, revólver, corneta,
E trem elétrico, até
Boneca, máquina de pé,
Mas num brinquei, só fiz ver
E resolví escrever
Uma carta a Papai Noé.

“Papai Noé é pecado
Aos outros se matratá
Mas eu vou lê recramá
Um troço qui tá errado
Que aos fio do deputado
Você dá tanto carrin
Mas você é muito ruim
Que lá em casa num vai
Por certo num é meu pai
Qui num se lembra de mim.

Já tô certo que você
Só balança o povo seu
E um pobre que nem eu
Você vê, faz qui num vê
E se você vê, porque
Na minha casa num vem?
O rancho que a gente tem
É pequeno mas lhe cabe
Será que você num sabe
Qui pobre é gente também?

Você de roupa encarnada,
Colorida, Bonitinha,
Nunca reparou qui a minha
Já tá toda remendada
Seja mais meu camarada
Pr’eu num chamá-lo de ruim
Para o ano faça assim:
Dê menos aos fio dos rico
De cada um tire um tico
Traga um presente pra mim.


Meu endereço eu vou dá
De casa que eu moro nela
Moro naquela favela
Que você nunca foi lá
Mas quando você chegá
Qui avistá uma paioça
Cuberta cum lona grossa
E dois buracão bem grande
Uma porta veia de frande
Pode batê que é a nossa.





3 comentários:

Sarinha disse...

Geeeemea!
Feliz Natal.. e um 2012 repleto de saude, coisas positivas e boas, amor, sorrisos, abraços, amigos, amores..
Dá noticia sempre, tá??!

E esse cordel é lindão mesmoo!

beijoo

Flávia Escarlate disse...

Oi, Sammyra!!! Feliz Natal (atrasado) e Feliz Ano Novo (adiantado)! :)
Poxa, poucas pessoas pensam no Natal desta forma. A gente lembra dos presentes, da ceia, da família reunida... Nada disso é ruim. Mas é também importante lembrar que nem todo mundo tem oportunidade de ter tudo isso, né? Acho sensível quem sabe ver além do próprio umbigo. :)
Boas Festas a você e a todos que ama! :)

Babasinha disse...

Minha linda, amei o cordel... Pena q já se passou uns dias, mas ano que vem me lembre q vou postar ele tb... Ainda estou encantada e com vontade de cantarolar versos.. Será que só eu fico assim???