
"Todo dia, a menina corria o quintal, procurando um arco-íris. Corria olhando para o alto, tropeçava e caía. Toda vez que se machucava, vinha chorando uma cor. Um dia, chorou o anil até esvaziá-lo dos olhos. Depois, chorou laranja, chorou vermelho e azul. Chorou verde. Violeta. Amarelo e até transparente! Chorou todas as cores que tinha, todas as cores de dentro. Então, abriu os olhos e nem o arco-íris, ela viu. Não viu flores e borboletas. Não viu árvores e passarinhos. Pensando que era ainda noite, deitou-se na cama e dormiu. Pensando que era tudo escuro, nem levantar-se ela quis! Ficou dormindo cinzenta, por dias e noites sem fim... Foi quando um sonho, tão colorido, derramou-se dentro dela! Tingiu o travesseiro e a fronha, o lençol e o pijaminha. Tingiu a meia e o quarto. Tingiu as casas e os ninhos! A menina abriu a janela e viu que hoje não tinha arco-íris. Mas tinha o desenho das nuvens. Tinha as flores e um passarinho".
(Rita Apoena)
Ah não! Não quero chorar arco-iris...
Sabe o que eu quero, meu bem?
Ir saboreando, devagarinho o Vermelho do Vinicinho, até me entupir do amor ("infinito enquanto dure" - e quem sabe até dure pra sempre?) que ele cantava lindamente. Depois degustar a Florbela com todo o seu Laranja, sentindo na pele a paixão até dar uma dor, sonhando que "sou a Poetisa eleita, aquela que diz tudo e tudo sabe"! Ao me fartar desta, sorverei o Amarelo de Pessoa, para poder "cercar de grandes muros quem me sonha... para que me conheçam só assim", rs. Satisfeita do Fernando, chegará a vez de me entupir de Verde, que é a cor de Neruda que vem me ensinar calmamente que "da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai". Munida desta certeza, poderei então me valer de Drummond com todo o seu Azul me explicando, dentre outras coisas, que "tenho razão em sentir saudades", tenho razão!!! quando a saudade já não mais em mim habitar, a noite cor de Anil de dona Clarice só vem afirmar que "teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu". Ah, mas depois de tudo isso, vou comer avidamente o Quintana-Violeta e no fim perceberei "que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar"...
E assim que terminar esta "refeição", aí sim, poderei então vomitar meu arco-íris, lambuzando a vida de colorido!!!
P.S.:Kamilla, do blog Pure Charme, não estou conseguindo comentar lá! Acho que deve ter alguma coisa errada, vê lá e qualquer coisa me avisa! Beijo!
Pensamentinho de Cabeceira:
"Vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia".
(Leminski)