
(Vinicius de Moraes)
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz intima pedindo perdão por tudo
-Perdoai-os! porque eles não tem culpa de ter nascido...
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
ela virá me entreabrir a porta como uma amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
Ando com os dias corridos, com muito o que fazer e quase nada a dizer... aí pedi a ele, ao Vinicinho, pra vir aqui falar por mim...
E como ele fala por mim...
Beijinhos
Pensamentinho de Cabeceira:
"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo, um carinho no momento preciso, o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento".
(Mário Quintana - O que o vento não levou)